A incrível experiência de viajar sozinha pelo mundo.

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Muitos sonham em se aventurar e viajar pelo mundo e só de pensar na hipótese é impossível não sentir aquele frio na barriga. Porém, quando se é mulher e pretende ter essa aventura e viajar sozinha após perder o emprego, esse friozinho na barriga se torna uma nevasca.

Como será ficar fora do mercado do trabalho por tanto tempo? Será difícil me recolocar quando eu voltar? Pelo menos se eu fizer um curso dá para colocar no currículo, mas e viagem a lazer, como que faço? Sempre viajei com amigos, será que vou gostar de viajar sozinha? É seguro uma mulher sair sem companhia pelo mundo?

Eu me vi nessa situação em 2015 quando estava planejando uma viagem de férias para a Tailândia e Indonésia com duas amigas, mas infelizmente, alguns meses antes de ir, perdi meu emprego em meio à crise e me vi sem chão.  Fiquei muito triste, pois não poderia mais realizar a viagem dos sonhos. Neste momento me dei conta que há quase 3 anos não tirava férias e eu precisava de um tempo para relaxar antes de começar a trabalhar novamente. Pensei em fazer um curso de inglês no exterior, mas esta era apenas uma desculpa para eu poder viajar em um momento de crise. Foi então que em um encontro com amigos, contei a situação e todos me incentivaram a ir atrás do meu sonho e fazer uma viagem para minha realização pessoal, explorando os países que desejava conhecer, que o inglês iria melhorar naturalmente e que no final essa experiência seria tão enriquecedora que com certeza valeria a pena. A cada incentivo meus receios e medos evaporavam.

Conversei com outros amigos que já tinham viajado sozinhos por muito tempo e a fazer minhas pesquisas na internet – Ganhei confiança! A vontade de explorar o desconhecido só aumentava e foi então que tomei a decisão de cair no mundo. Pela primeira vez resolvi dar uma pausa na minha rotina e fazer algo para mim, algo que sempre quis, mas que não imaginava o que viria pela frente, só sabia que seria algo que iria mudar a minha vida.

Em Bali com as minhas amigas, Márcia e Fernanda, que estavam de férias.

Em Bali com as minhas amigas, Márcia e Fernanda, que estavam de férias.

Defini meu roteiro, decidi que iria ficar 2 meses na Europa e depois partiria para o sudeste asiático, onde encontraria minhas amigas de férias na Tailândia e Indonésia. Depois disso não tinha um itinerário definido e nem data de volta, tinha apenas uma lista de lugares que gostaria de visitar. Sensação total de liberdade, eu ficava imaginando como seria viajar sem estar presa a um roteiro, imaginava estar em um local sem saber ao certo qual seria o próximo destino – Um sonho para qualquer mochileiro!

Finalmente o grande dia havia chegado. Difícil descrever a emoção, o aperto no coração e a mistura de sensações que rodeiam o momento da despedida e da desconexão com sua zona de conforto rumo ao desconhecido. Como se tudo isso não bastasse, passei meu primeiro perrengue já no aeroporto. Eu não havia comprado a passagem de volta, pois nem sabia quando e de onde iria voltar, fui obrigada a comprar uma na hora, caso contrário não poderia embarcar.

Percebi que a aventura havia começado e que daquele momento em diante muitos imprevistos aconteceriam – Pensamento positivo, let’s go! Após algumas horas, lá estava eu sozinha em Lisboa, mas confiante de que coisas boas estariam por vir.

Como é a experiência de viajar sozinha?

Antes de relatar os detalhes da viagem que mudou minha vida gostaria de dividir algumas experiências gerais que tive nessa jornada. Viajar sozinha não significa que você vai passar a viagem inteira solitária, pelo contrário, você presta mais atenção nas pessoas ao seu redor e fica muito mais aberta a fazer novas amizades. Você percebe que tem muito mais gente viajando sozinha do que você imagina e que também está afim de fazer amizade. No começo eu ficava mais reservada, mas depois de um tempo, percebi que eu já estava puxando assunto de forma natural e sem perceber já tinha feito uma amizade. Fiz amigos em lugares como fila de museu, trem, barco, aeroporto, festival, bar, walking tours e vários outros, com pessoas que mantenho contato até hoje e algumas que reencontrei e fui visitar durante a viagem. O local mais fácil de encontrar viajantes solo com certeza é em hostel. Escolha um que tenha uma área comum, onde as pessoas costumam se reunir e você vai ver que não estará mais sozinho. Outra forma interessante é por meio do Couchsurf, para quem não conhece vale a pena conferir o site.

Amigos que conheci em Chiang Mai na Tailândia e cantamos no karaokê com o policial tailandês.

Amigos que conheci em Chiang Mai na Tailândia e cantamos no karaokê com o policial tailandês.

Muitas vezes fiz amizade com pessoas tão legais, que deu uma dorzinha no coração ter que partir para outra cidade e começar tudo de novo. Você acaba se apegando às pessoas mesmo que seja por algumas horas, pois naquele momento aquele é o seu melhor amigo. Quando você muda de cidade você nunca sabe o que esperar, o que vai acontecer, como será o lugar, se vai conhecer gente interessante, se vai se dar bem, enfim, é sempre uma surpresa!

Mas não é sempre que você vai encontrar pessoas em seu caminho, aí você vai descobrir que ficar sozinho também é bom, que é gostoso visitar os lugares em sua própria companhia, sair sem destino, ter momentos de tranquilidade, pensar na vida, ler um livro ou apenas descansar e apreciar a paisagem.

Apreciando o cânion em Pai no norte da Tailândia.

Apreciando o cânion em Pai no norte da Tailândia.

É seguro viajar sozinha?

No geral, os países que visitei são mais seguros do que viajar pelas grandes cidades brasileiras. Todos sabem que viajar pela Europa é mais seguro do que aqui, mas e o Sudeste Asiático, não é perigoso? Não, ao contrário do que muita gente pensa, são países muito pacíficos, geralmente com um povo bem simpático, acolhedor e respeitador.

No Sudeste Asiático não existem tantos casos de violência como vemos por aqui, mas sempre precisamos estar atentos aos pequenos furtos e golpes. Como em todo lugar turístico ou com grande número de pessoas como em metrô, ônibus ou trem, nunca podemos desligar das bolsas e mochilas. No Vietnã, por exemplo, tem que tomar cuidado com pessoas de moto, pois é comum eles passarem em dois e cortarem a alça de bolsas pequenas e levarem sem você nem perceber. Se puder, é melhor andar com uma mochila que não seja fácil de abrir e usar uma doleira para levar os documentos e dinheiro. Também nunca deixe objetos de valor na mala ou mochila que vai despachar, eles devem estar sempre com você na mala de mão. Outra coisa que vi muita gente vacilando é em descuidar dos seus pertences dentro do hostel, vi muita gente deixando notebook para carregar e mala aberta enquanto iam passear e quando voltaram perceberam que algo havia sumido. Quando forem sair, deixem sempre os objetos de valor trancados no armário ou no cofre. O lema é: “Mente alerta e cuidados básicos” – Sem neurose!

Com a Gina, alemã que conheci no Mianmar - viajamos juntas por 14 dias.

Com a Gina, alemã que conheci no Mianmar – viajamos juntas por 14 dias.

Com relação ao assédio por ser uma mulher viajando sozinha, o único país que fui importunada foi a Turquia, mas mesmo assim não tive nenhum problema sério. Cuidados básicos são recomendáveis em qualquer lugar. Eu não saia a noite em locais de pouco movimento sozinha e sempre prestava mais atenção por onde estava andando, se tinha algo suspeito, entrava em algum comércio ou mudava a rota.

Uma coisa que vai acontecer viajando sozinho são os perrengues. Imprevistos acontecem e você vai ter que aprender a lidar com eles e se virar em diferentes situações.  Muitas vezes apareceram pessoas maravilhosas em meu caminho, que eu nem conhecia, mas me ajudaram em momentos de dificuldade. Foi aí que eu tive certeza que nosso “anjo da guarda” sempre nos acompanha e manda ajuda quando precisamos. Tudo isso faz parte da viagem e da sua trajetória de vida, no final vai perceber como se superou, amadureceu e terminou a viagem mais forte. Com certeza na próxima já vai tirar de letra! 😉

Saldo positivo

Uma coisa legal de viajar para o exterior sozinho é a oportunidade de conhecer gente de todo o mundo, de lugares que nunca imaginei conhecer, ter contato com novas culturas, aprender a respeitar as diferenças, além de ser uma ótima oportunidade para praticar o inglês.

Passeio de barco com amigos que conheci em Hvar na Croácia.

Passeio de barco com amigos que conheci em Hvar na Croácia.

Cada dia da sua viagem é uma história diferente para contar, são tantas pessoas e lugares que conhecemos, são novas experiências e aprendizados, que até parece que o dia tem 48 horas.

Depois de um tempo viajando sozinho você começa a se conhecer melhor, a confiar mais em si, você começa a olhar o mundo de uma forma diferente e a dar valor a coisas simples que você nunca tinha notado como são importantes, com certeza te desperta para novas possibilidades e te faz voltar diferente!

Viajar sozinha por muito tempo foi a mais rica e engrandecedora experiência que já vivi!  Para aqueles que ainda têm dúvida se devem se aventurar em uma viagem como essa, o que posso garantir é que essa experiência vai mudar a sua vida! Com certeza depois dessa jornada você nunca mais vai querer parar de viajar.

Começando o ano com muita energia positiva e amigos sensacionais que conheci na Tailândia.

Começando o ano com muita energia positiva e amigos sensacionais que conheci na Tailândia.

A minha viagem durou 165 dias, cruzei 18 países, vivi momentos surreais, amei, sorri, chorei, me emocionei e me desesperei, mas acima de tudo não me arrependi de nada. Os detalhes da maior aventura de minha vida eu contarei nos próximos posts desta coluna – Sem destino, mas vivendo intensamente!

Até breve! 😉

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About Author

Vanila Delevali

Profissional de marketing, praticante de esportes desde criança, adora uma praia e estar em contato com a natureza. O que mais lhe motiva é explorar lugares novos e fazer novas amizades. Recentemente largou tudo para desbravar sozinha 18 países e realizar a maior experiência de sua vida.

22 Comentários

  1. Laura Helena Verola on

    Oi vanila, amei sua história.Me lembrei daquela menininha linda e tímida que conheci, e hoje se tornou essa mulher independente, mto bom termos coragem e determinação p vivermos nossos sonhos.Mts vezes os nossos sonhos não se realizão por falta de atitude de nossa parte.Amei conhecer sua história de superação . Saudades de vocês bj.

    • Vanila Delevali

      Oi Laurinha! Fiquei feliz em receber sua mensagem, obrigada pelo carinho! Resolvi ir atrás dos meus sonhos e vivi a maior experiência da minha vida!!! Saudades de todos. Bjão

  2. João Paulo on

    Bom dia Vanila, parabéns por compartilhar! Às vezes maturamos tanto a ideia de conhecer tudo, planejamos datas e lugares para ir e aí acontecem os imprevistos, mudam tudo o que tínhamos e fica a sensação de não termos mais nada mas, é justamente o contrário, certo? 😉 Mas é isso aí, é acreditar e dar a primeira braçada atrás da nossa lenda pessoal! Grande abraço e que venham mais aprendizados para a sua bagagem!

    • Vanila Delevali

      Olá, João Paulo! O mais importante é ter coragem de ir, chegando lá tudo se ajeita! Na maioria das vezes eu chegava nas cidades sem absolutamente nada planejado e a primeira coisa que fazia era me informar na recepção ou com outras pessoas que estavam lá e também dava uma pesquisada rápida na internet ou em guias, assim eu ia planejando as coisas conforme a viajem ia acontecendo e também estava aberta para mudanças de planos. Isso foi ótimo, pois fui adequando meu roteiro conforme fui conhecendo pessoas e de acordo com o que tinha pra conhecer no local! Abraços! 😉

  3. Olá!!!
    Que alegria ler tudo isso sobre um pouquinho da sua vida , amei
    Bom eu já imaginava que iria longe ,sucesso e estarei acompanhando suas aventuras
    Abraço forte 💋

  4. Nei Reis on

    Van, que S E N S A C I O N A L… Parabéns pela iniciativa, coragem e por compartilhar essa Grande Experiência.
    Deu até vontade de ir para o aeroporto hoje mesmo 😀 kkkk Bjo

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